A safra 2016/2017 de cacau, que se inicia em outubro, deve registrar um excedente de 130 mil toneladas, impulsionada por melhores condições climáticas e pela distribuição de fertilizantes e outros insumos, avalia o Rabobank. Nas estimativas do banco, a produção em Gana, na África, deve atingir 900 mil toneladas, numa recuperação após a surpreendente queda verificada na safra passada e, provavelmente, no atual ciclo.

Para a atual safra 2015/2016, existe consenso entre os analistas de mercado que haverá déficit. No entanto, a janela entre as projeções mais otimistas e pessimistas é ampla. No lado mais otimista, o Rabobank estima uma diferença negativa de 108 mil toneladas entre a oferta e a demanda. Já a previsão mais elevada foi feita pela trading Olam International e é de 308 mil toneladas.

Em relação aos derivados da amêndoa, as cotações da manteiga de cacau apresentam forte alta, sustentada por temores quanto à oferta, indica a trading holandesa Cocoanect. O principal fator de sustentação dos preços é a percepção de menor qualidade das amêndoas produzidas na África Ocidental.

A companhia aponta que os preços atingem US$ 7 mil a tonelada, o que tem causado uma transferência de demanda para produtos substitutos. A manteiga de cacau é bastante utilizada em produtos de confeitaria e chocolates de melhor qualidade.

Já as cotações do cacau em pó têm recuado, ficando próximas de US$ 2 mil a tonelada. “A demanda em países emergentes devia estar em alta, impulsionando as cotações”, afirma a trading. A queda dos preços sinaliza uma tendência preocupante em relação aos mercados emergentes, aponta a Cocoanect.

 

Fonte: Canal Rural (21/06/2016)