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A fome ainda atinge 645 milhões de pessoas no mundo, enquanto 2,69 bilhões não têm acesso a uma alimentação saudável, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Os números expõem um problema que não se resume à quantidade de alimentos produzidos. O mundo já dispõe de produção suficiente para alimentar sua população, mas milhões de pessoas continuam sem condições de adquirir alimentos em quantidade e qualidade adequadas.

Celebrado em 16 de outubro, o Dia Mundial da Alimentação marca o aniversário de fundação da FAO, em 1945. Em 2026, a campanha tem como slogan “Inovar hoje para nutrir o amanhã”. Para a agricultura, a mensagem reforça a importância de investir em tecnologias que permitam melhorar o aproveitamento dos nutrientes, reduzir perdas nas lavouras e preservar a capacidade produtiva dos solos.

O Brasil tem uma contribuição importante para a oferta mundial de alimentos. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de grãos na safra 2025/26 está estimada em 361,7 milhões de toneladas, crescimento de 2,6% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada alcançou 83,5 milhões de hectares, expansão de 1,7%, enquanto a produção de soja deve atingir 180,4 milhões de toneladas.

O aumento da produção ocorre em condições nem sempre favoráveis ao desenvolvimento das culturas. A irregularidade das chuvas, as temperaturas elevadas e os episódios de geadas afetam diferentes regiões agrícolas e exigem maior atenção ao manejo das lavouras. Em determinadas situações, essas adversidades comprometem o aproveitamento dos nutrientes e reduzem o potencial produtivo das plantas.

Nesse contexto, a eficiência da nutrição vegetal ganha relevância econômica e agronômica. Os fertilizantes especiais oferecem alternativas para melhorar a disponibilidade e o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas, contribuindo para reduzir perdas durante o processo de adubação. Formulações com mecanismos de liberação controlada, por exemplo, permitem adequar o fornecimento de nutrientes às necessidades das culturas, de acordo com as condições de cultivo e as recomendações técnicas.

A utilização desses produtos exige conhecimento técnico e planejamento. Não se trata de substituir integralmente os fertilizantes minerais, mas de combinar tecnologias que permitam atender às exigências nutricionais das plantas e melhorar os resultados obtidos com os recursos investidos. A escolha dos insumos deve considerar as características do solo, as necessidades das culturas e as condições de produção.

Para o Brasil, melhorar a eficiência no uso dos fertilizantes também é uma questão de competitividade. Aproximadamente 85% dos fertilizantes NPK consumidos no país têm origem externa, situação que expõe a agricultura às oscilações cambiais, aos custos logísticos e às instabilidades do comércio internacional. Em 2025, as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro alcançaram 49,1 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica.

Essa dependência evidencia a necessidade de ampliar a produção nacional e diversificar as fontes de nutrientes. Uma das oportunidades está no aproveitamento dos resíduos gerados pelas atividades agropecuárias e agroindustriais. O Brasil produz aproximadamente 3,85 bilhões de toneladas desses materiais por ano, com potencial para a fabricação de fertilizantes de matriz orgânica. Considerando os nutrientes recuperáveis, sua transformação em fertilizantes poderia atender entre 25% e 30% da demanda nacional.

Números do mercado brasileiro

Os números do mercado brasileiro indicam que o produtor tem incorporado essas tecnologias ao manejo agrícola. Em 2025, as vendas de biofertilizantes alcançaram R$ 883 milhões, crescimento de 77% em relação ao ano anterior. Os fertilizantes orgânicos movimentaram R$ 1,081 bilhão, com alta de 58,5%, enquanto os organominerais chegaram a R$ 2,810 bilhões, avanço de 9%.

O crescimento desses segmentos acompanha uma mudança no comportamento do agricultor. A decisão de compra considera cada vez mais o retorno sobre o investimento, e não apenas o preço dos insumos. Em um ambiente de custos elevados e margens pressionadas, tecnologias que melhorem o aproveitamento dos nutrientes e reduzam perdas podem contribuir para a rentabilidade da atividade.

A indústria brasileira de tecnologia para produção vegetal tem condições de ampliar sua participação nesse mercado. Para isso, precisamos fortalecer a pesquisa aplicada, estimular investimentos industriais e assegurar condições regulatórias que permitam o desenvolvimento e a comercialização de produtos com qualidade comprovada. Também é necessário aproximar a pesquisa das demandas do campo, para que as inovações atendam às necessidades dos agricultores.

A produção agrícola, contudo, representa apenas uma parte do desafio da segurança alimentar. A fome também está relacionada à desigualdade de renda, aos conflitos internacionais e às dificuldades de distribuição. Mesmo quando há disponibilidade de alimentos, o acesso pode ser limitado pelo poder de compra da população. Por isso, aumentar a oferta não significa, necessariamente, garantir alimentação adequada para todos.

Isso não diminui a responsabilidade do setor agrícola de continuar avançando em produtividade e eficiência. A necessidade de produzir alimentos em quantidade suficiente exige sistemas produtivos capazes de manter bons rendimentos, mesmo diante das adversidades climáticas e da pressão sobre os custos de produção.

O Brasil dispõe de conhecimento científico, capacidade industrial e recursos para ampliar sua contribuição à produção mundial de alimentos. Precisamos transformar esse potencial em tecnologias acessíveis ao agricultor, reduzir nossa dependência de insumos importados e preservar a fertilidade dos solos. O fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes especiais, bioinsumos e adjuvantes é parte desse processo e pode ajudar a agricultura brasileira a produzir melhor, com maior eficiência no uso dos recursos disponíveis.

Sobre a Abisolo

A Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo) foi fundada em outubro de 2003 para representar e defender os interesses das empresas produtoras e importadoras de insumos que contribuem para a qualidade, a produtividade e a sustentabilidade da agricultura brasileira.

Com mais de 140 empresas associadas, a Abisolo congrega fabricantes e importadores de fertilizantes, bioinsumos e adjuvantes. A entidade participa ativamente das discussões sobre temas estratégicos para o setor e mantém diálogo permanente com ministérios, secretarias, órgãos de controle e fiscalização, instituições de pesquisa e as Receitas Estadual e Federal. Sua atuação tem como foco a competitividade, a liberdade econômica e a valorização dos segmentos que representa.

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